SAÚDE MENTAL | 02.MARÇO.2020

Como lidar com a ansiedade

Imagine que, em algumas horas, você fará a apresentação mais importante da sua carreira. Enquanto repassa as falas na frente do espelho, o coração fica acelerado e o estômago se remexe todo. Na sua cabeça aparecem um turbilhão de pensamentos e incertezas: “E se eu esquecer de algo? Ou falar bobagem? E se fizerem uma pergunta que não sei responder?”. Estamos diante de um episódio clássico de ansiedade, um sentimento natural e comum em diversas espécies de animais, inclusive nos seres humanos.

Na dose certa, a ansiedade nos prepara para encarar novos desafios. Mas o alarme deve soar quando há excesso desse sentimento. De difícil controle, os transtornos de ansiedade são caracterizados pela preocupação excessiva ou expectativa apreensiva acompanhada, geralmente, por pelo menos três sintomas: tristeza, fadiga, irritabilidade, falta de concentração, falta de ar, insônia, tremores, taquicardia, tensão muscular e dor de cabeça.

Em vez de um mecanismo para antecipar problemas possíveis e melhorar nossa capacidade de planejamento, a preocupação exagerada nos impede de realizar tarefas e atrapalha compromissos. Sair de casa torna-se um sofrimento, entregar o trabalho no prazo é praticamente impossível, a concentração desaparece, as unhas são roídas e a qualidade de vida cai.

Em 2018, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um relatório indicando que a ansiedade é a segunda condição mental, depois da depressão, com maior incidência na população ao redor do globo. 264 milhões de pessoas sofrem com o distúrbio – desses, 18 milhões são brasileiros, o que nos coloca na posição de país mais ansioso do mundo.

O que fazer para controlar a ansiedade

Um componente chave para a prevenção da ansiedade é aprender a reconhecer os padrões de pensamentos ansiosos quando eles surgem, assim, é possível gerenciá-los e também identificar a causa/gatilho.

Nesse sentido, a psicoterapia possibilita uma transformação de dentro para fora: por meio da conversa, o profissional faz o paciente refletir sobre seus temores para, então, conseguir modificá-los com o passar do tempo, além de ajudar a lidar com os sintomas e as dificuldades que o transtorno cria. Em alguns casos, pode ser solicitado o uso de medicamento.

As recomendações dos especialistas ainda incluem: atividade física, pois ajuda o corpo a liberar hormônios que promovem bem-estar; ter uma dieta saudável, rica em vitaminas e minerais; aprender a equilibrar trabalho e descanso; ter boas noites de sono e evitar o excesso de álcool, café, cigarro e outros estimulantes.